O dólar comercial é negociado a R$ 4,968 nesta terça-feira, 6 de outubro de 2026, em queda de 0,66%, depois de desabar 4,12% na segunda e fechar a R$ 5,0022. É o menor patamar desde 21 de maio. O Ibovespa disparou 7,85%, aos 207.190 pontos, novo recorde histórico. Duas forças se somaram: o resultado do primeiro turno da eleição e um relatório de empregos fraco nos Estados Unidos. Os especialistas da Rede Câmbio Seguro explicam o que mudou e o que fazer agora.
O que o resultado do 1º turno fez com o câmbio
No domingo, 4 de outubro, o senador Flávio Bolsonaro (PL) terminou o primeiro turno à frente, com cerca de 47% dos votos válidos, contra 45% do presidente Lula (PT). Os dois disputam o segundo turno em 25 de outubro. A leitura inicial dos investidores foi de redução do prêmio de risco sobre os ativos brasileiros, o que sustentou o real e derrubou os juros futuros.
O tamanho do movimento se explica pelo posicionamento. Havia muita posição montada esperando um resultado diferente do que saiu das urnas. Quando o número apareceu, essas posições foram desmontadas de uma vez só. O resultado foi a queda de 4,12% do dólar e a alta de 7,85% da Bolsa em um único pregão, com giro de R$ 97,58 bilhões. O Ibovespa chegou a tocar 209.605 pontos na máxima do dia, e o ETF EWZ, que replica ações brasileiras em Nova York, subiu 12,57%.
O segundo motor veio dos Estados Unidos
Na sexta-feira, 2 de outubro, o relatório mensal de empregos americano, o payroll, mostrou a criação de apenas 29 mil vagas em setembro, contra cerca de 85 mil esperadas pelo mercado. Julho e agosto foram revisados para baixo em 60 mil vagas somadas, e a taxa de desemprego subiu de 4,1% para 4,2%.
O efeito foi imediato nas apostas de juros: a probabilidade de o Federal Reserve, o banco central americano, elevar a taxa já em outubro caiu de mais de 70% para cerca de 20%. Para dezembro, o mercado ainda vê cerca de 70% de chance. Juro americano com menos pressão enfraquece o dólar no mundo inteiro, e isso ajudou o real.
O petróleo também aliviou. O Brent recuou para US$ 98,37, queda de 1,94%, voltando a operar abaixo de US$ 100, com a Arábia Saudita elevando o fluxo do oleoduto Leste-Oeste e os países do G7 liberando 100 milhões de barris das reservas de emergência. Energia mais barata significa menos pressão inflacionária global.
Acumulados da semana, do mês e do ano
- Dólar (R$ 4,97): semana -4,77% · mês -3,98% · ano -9,49%.
- Euro (R$ 5,56): semana -5,38% · mês -5,31% · ano -13,99%.
- Libra (R$ 6,56): semana -5,13% · mês -4,34% · ano -10,61%.
- Iene (R$ 3,14 por 100 ienes): semana -5,08% · mês -4,29% · ano -10,24%.
- Ouro (US$ 4.149 a onça): semana -1,04% · mês -0,65% · ano -3,70%.
Semana: desde o fechamento de sexta-feira (02/10). Mês: base do fechamento de 30/09. Ano: base do fechamento de 31/12/2025. Dólar e euro com fechamento e PTAX do Banco Central; libra e iene estimados por paridade com o dólar comercial.
Euro, libra e iene caíram ainda mais que o dólar
O euro está em R$ 5,56, com queda de 5,38% na semana, a maior do quadro. Além do real forte, a moeda europeia perde no mercado internacional: o par EUR/USD recuou para a casa de 1,1200 com a turbulência nos títulos públicos franceses. No acumulado do ano, o euro está 13,99% mais barato em reais.
A libra, a R$ 6,56, caiu 5,13% na semana, com o GBP/USD em torno de 1,3200. O iene, a R$ 3,14 por 100 ienes, recuou 5,08%, com o USD/JPY acima de 158,00 mesmo após o Banco do Japão sinalizar que a inflação se aproxima da meta de 2%.
Para quem tem viagem marcada à Europa ou ao Reino Unido no fim do ano, é o melhor preço desde maio. A combinação de real forte com moeda fraca lá fora é rara e costuma durar pouco.
Ouro: quase de lado em dólar, bem mais barato em reais
O ouro está em US$ 4.149 a onça, alta de 0,22% no dia. Em dólar, o metal praticamente andou de lado na semana, com queda de 1,04%. Mas em reais a história é outra: a grama saiu de R$ 696 na semana passada para R$ 663, uma queda de 4,7% provocada quase inteiramente pelo câmbio.
- Oportunidade de compra: para quem compra ouro em reais, a janela aberta pelo dólar é mais relevante do que o movimento do próprio metal. É o melhor preço em reais do segundo semestre.
- Quem já tem: manter. O recuo da aposta de alta do Fed em outubro tirou parte da pressão. O contrapeso é o juro do título americano de 10 anos perto de 5,3%, o maior nível em duas décadas, que encarece manter um ativo que não paga juros.
- Paridade em reais: cerca de R$ 663 por grama (US$ 133,39 x R$ 4,968). Paridade convertida Bolsa NY. Não é o valor utilizado nas operações.
- Variação recente: -1,04% na semana, -0,65% no mês e -3,70% no ano. O metal está 26% abaixo do recorde de US$ 5.608 de janeiro.
Remessas internacionais: a melhor janela do ano
Com o dólar a R$ 4,968, uma remessa de US$ 1.000 para investimento sai por cerca de R$ 5.023, já com o IOF de 1,1% e sem considerar o spread da operação. Na edição de 29 de setembro, o mesmo cálculo dava R$ 5.270. A diferença é de R$ 248 por mil dólares em uma semana. Para importadores e empresas optantes pelo Simples Nacional, o IOF é de 0% na maioria dos casos.
Quem seguiu a orientação da semana passada, de enviar apenas o essencial com o dólar colado no topo da faixa e deixar o restante para depois do primeiro turno, economiza cerca de 4,8% no valor que ficou para agora.
A pergunta agora é outra: travar ou esperar? O dólar já caiu quase 5% em dois dias e está no piso da faixa dos últimos 30 dias. Travar boa parte agora captura o movimento que já aconteceu. Segurar tudo é apostar em um resultado específico no dia 25. Dividir em duas ou três operações até o segundo turno continua sendo o caminho de menor arrependimento.
O que esperar nos próximos dias
- Quarta (7): ata da última reunião do Federal Reserve, com pistas sobre o ritmo dos juros americanos, além de falas de dirigentes do Fed e do Banco Central Europeu.
- Quinta (8) e sexta (9): IPCA de setembro no Brasil, que vem depois de o IPCA-15 ter subido 0,70%, puxado pela energia elétrica. Nos EUA, pedidos de seguro-desemprego e confiança do consumidor.
- Próxima semana: primeiras pesquisas do segundo turno. Serão elas que vão definir se o alívio atual se mantém. O Boletim Focus também deve revisar a projeção de dólar, hoje em R$ 5,20.
- Domingo, 25 de outubro: segundo turno da eleição presidencial. Faltam 19 dias, e a tendência é de volatilidade a cada nova pesquisa divulgada.
Veredito da semana
A faixa de trabalho até 25 de outubro é de R$ 4,90 a R$ 5,15. Quem tem compromisso em moeda estrangeira deve travar de 50% a 70% agora, no piso de cinco meses, e deixar o restante para depois do segundo turno. Em reais, é também a melhor janela do ano para quem compra ouro.
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