O dólar comercial recua para R$ 5,009 nesta terça-feira, 20 de outubro de 2026, queda de 0,76%, depois de fechar a segunda a R$ 5,0476. A mínima do dia foi R$ 5,005. O Ibovespa sobe 1,87%, aos 208.922 pontos. O mercado voltou a comprar o cenário eleitoral a cinco dias do segundo turno. Do lado oposto, o petróleo Brent bateu US$ 111, o maior nível em cinco meses, e a inflação americana acelerou acima do esperado. Os especialistas da Rede Câmbio Seguro analisam as duas forças.
A favor do real: a eleição
A pesquisa Real Time Big Data manteve Flávio Bolsonaro com 52% dos votos válidos contra 48% de Lula na simulação de segundo turno. Para o mercado, a leitura continua sendo de redução do prêmio de risco sobre os ativos brasileiros. Os juros futuros caíram em toda a curva nesta terça, e a Bolsa acumula alta de cerca de 10% em outubro.
O movimento tem tamanho relevante: foram aproximadamente R$ 500 bilhões adicionados ao valor de mercado da Bolsa no mês, o quarto maior ganho mensal desde 2020. Na segunda-feira à noite, o presidente Lula afirmou ao SBT que medidas recentes, como o aumento do Bolsa Família e o perdão de dívidas de microempreendedores individuais, não representam uma bomba fiscal e cabem no orçamento.
Contra o real: o petróleo
Os houthis reivindicaram ataques a instalações de energia, a um aeroporto e a alvos militares na Arábia Saudita, incluindo uma unidade da Aramco em Yanbu e o campo de Shaybah. A empresa de rastreamento marítimo Kpler contabilizou ao menos 18 embarcações atacadas em duas semanas.
O Brent chegou a US$ 111 nesta terça, o maior nível em cinco meses e a cerca de US$ 3 do pico do início de maio. Depois recuou para perto de US$ 108, após uma notícia ainda não confirmada de uma proposta de Catar e Paquistão para retomar as negociações sobre o Irã. Petróleo caro pressiona a inflação global e, por consequência, as moedas de países emergentes.
A inflação americana surpreendeu para cima
O índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos subiu 3,7% em 12 meses em setembro, acima dos 3,6% esperados e bem acima dos 3,4% registrados nos dois meses anteriores. O núcleo, que exclui energia e combustíveis, foi a 2,6%, contra 2,5% projetados.
A energia explica boa parte do movimento: alta de 20,4% em 12 meses, com a gasolina subindo 9,1% apenas em setembro e 34,2% no acumulado de um ano, respondendo por mais da metade do aumento mensal. Mesmo assim, o mercado aposta que o Federal Reserve mantém os juros na reunião de 27 e 28 de outubro, com cerca de 87% de probabilidade, e deixa uma eventual alta para dezembro, cenário hoje precificado em cerca de 76%.
No Brasil, a inflação trava o corte de juros
O Boletim Focus de 19 de outubro manteve a projeção de IPCA para 2026 em 5,22%, acima do teto da meta, que é de 4,5%. Nenhum dos 137 respondentes projeta inflação abaixo do teto. A projeção do PIB caiu de 1,85% para 1,83%, e a Selic para o fim do ano segue estimada em 13,25%, o que implica dois cortes de 0,25 ponto até dezembro.
A projeção do dólar para o fim de 2026 recuou de R$ 5,15 para R$ 5,13, a segunda redução em duas semanas.
Acumulados da semana, do mês e do ano
- Dólar (R$ 5,009): semana -1,26% · mês -3,19% · ano -8,74%.
- Euro (R$ 5,63): semana -1,45% · mês -4,27% · ano -13,05%.
- Libra (R$ 6,70): semana -0,62% · mês -2,27% · ano -8,67%.
- Iene (R$ 3,17 por 100 ienes): semana -1,09% · mês -3,63% · ano -9,62%.
- Ouro (US$ 4.121 a onça): semana -1,88% · mês -1,32% · ano -4,35%.
Semana: desde o fechamento de sexta-feira (16/10). Mês: base do fechamento de 30/09. Ano: base do fechamento de 31/12/2025. Dólar e euro com fechamento e PTAX do Banco Central; libra e iene estimados por paridade com o dólar comercial.
Euro, libra e iene
O euro teve a maior queda do quadro na semana, de 1,45%, e está em R$ 5,63. O par EUR/USD ronda 1,1230, perto de mínimas de vários meses, pressionado por protestos antigoverno na França, que levaram a toques de recolher em várias cidades, e por agitação social na Itália, onde o governo planeja mobilizar 500 militares.
A libra caiu menos, 0,64%, e está em R$ 6,70. O desemprego britânico recuou inesperadamente para 4,7% e o crescimento dos salários foi a 3,7%, acima do esperado, o que reforça a aposta de que o Banco da Inglaterra eleve os juros para 4% na reunião de 5 de novembro. O iene está em R$ 3,17 por 100 ienes, com o USD/JPY em 158,22.
Para quem compra moeda, o euro é hoje a melhor relação do quadro: cai por fraqueza própria e por real forte ao mesmo tempo. O nível atual está cerca de 13% abaixo do início de 2026.
Ouro: quarta queda seguida
O ouro está em cerca de US$ 4.121 a onça, na quarta sessão consecutiva de queda. Pode parecer contraintuitivo com o petróleo em alta, mas a lógica é a do juro: petróleo caro reforça a expectativa de inflação, o que mantém viva a aposta de alta do Federal Reserve em dezembro, e juro mais alto pesa sobre um ativo que não paga rendimento.
- Quem já tem: manter. A queda responde a juros e dólar, não a mudança de fundamento.
- Oportunidade de compra: a faixa de US$ 4.100 a US$ 4.150 é o piso do intervalo em que o metal anda desde o início de outubro, e segue sendo região de entrada em parcelas.
- Paridade em reais: cerca de R$ 664 por grama (US$ 132,49 x R$ 5,009), praticamente o mesmo nível da semana passada, porque a queda do metal e a do dólar se anularam. Paridade convertida Bolsa NY. Não é o valor utilizado nas operações.
- Variação recente: -1,88% na semana, -1,32% no mês e -4,35% no ano. O metal está 26,5% abaixo do recorde de janeiro e zerado em 12 meses.
Remessas internacionais: a semana da decisão
Com o dólar a R$ 5,009, uma remessa de US$ 1.000 para investimento sai por cerca de R$ 5.064, já com o IOF de 1,1% e sem considerar o spread da operação. Na edição de 14 de outubro, o mesmo cálculo dava R$ 5.082. Para importadores e empresas optantes pelo Simples Nacional, o IOF é de 0% na maioria dos casos.
Faltam quatro pregões até o segundo turno. O ponto central é que o mercado já precificou um resultado. Se ele se confirmar no domingo, o espaço de queda adicional do dólar é bem menor do que foi no dia 5 de outubro. Se não se confirmar, a reação de alta tende a ser rápida.
A orientação da Rede Câmbio Seguro é clara: quem ainda tem parcela em aberto deve travar até sexta-feira. Entrar na apuração de domingo com 100% do valor exposto é a única posição que não tem como ser corrigida na segunda-feira.
O que esperar nos próximos dias
- Quarta (21) e quinta (22): últimas pesquisas e debates antes do segundo turno, o principal vetor do câmbio nesta semana. No exterior, balanços de empresas americanas e falas de dirigentes do Banco Central Europeu.
- Sexta (23): último pregão antes da eleição, com a redução de posições e a menor liquidez típicas do período. No Brasil, sai o IPCA-15 de outubro.
- Domingo (25): segundo turno da eleição presidencial. A segunda-feira seguinte tende a repetir a volatilidade do dia 5, em qualquer direção.
- Terça (27) e quarta (28): reunião do Federal Reserve, com expectativa de manutenção dos juros. O comunicado define o tom para dezembro.
Veredito da semana
A faixa de trabalho até domingo é de R$ 4,95 a R$ 5,10. Quem ainda tem parcela em aberto deve travar até sexta-feira, porque o cenário favorável já está em boa parte no preço e a reação de segunda-feira é assimétrica. No ouro, a recomendação é manter a posição e comprar em parcelas entre US$ 4.100 e US$ 4.150.
A Rede Câmbio Seguro acompanha o mercado diariamente e publica este panorama semanalmente, com edições extraordinárias sempre que o cenário muda de direção. Fale com a sua unidade RCS para conhecer as taxas aplicáveis à sua operação.
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