O dólar comercial é negociado a R$ 5,507 nesta terça-feira, 3 de novembro de 2026, com alta de 1,16%, depois de fechar a sexta-feira a R$ 5,444. Uma semana e meia após a eleição, o câmbio não devolveu o susto: a moeda acumula valorização de 10,8% desde o piso de R$ 4,968 registrado em 6 de outubro. O Boletim Focus divulgado hoje elevou a projeção do dólar para o fim do ano de R$ 5,05 para R$ 5,34. E amanhã o Copom decide os juros, com a expectativa virada de corte para manutenção. Os especialistas da Rede Câmbio Seguro explicam o cenário. Ao final deste texto há um glossário com todos os termos técnicos usados aqui.
Onde o mercado parou depois da eleição
No dia da apuração, 26 de outubro, o dólar chegou a R$ 5,6049. Hoje está em R$ 5,507, ou seja, devolveu menos de 2% do movimento. Para efeito de comparação, a moeda havia caído a R$ 4,968 no dia 6 de outubro. Em menos de um mês, a diferença entre os dois extremos chega a 10,8%.
O Boletim Focus, pesquisa semanal que o Banco Central faz com cerca de 130 instituições financeiras, confirmou a mudança de patamar. A projeção do dólar para o fim de 2026 subiu de R$ 5,05 para R$ 5,34, e a de 2027 foi a R$ 5,40. O IPCA, índice oficial de inflação, passou de 5,19% para 5,22% em 2026, e de 4,34% para 4,76% em 2027. O PIB de 2027 caiu de 1,31% para 1,20%. A leitura é de inflação mais alta por mais tempo e crescimento menor.
Os juros longos são o termômetro mais claro dessa mudança. O contrato de juros futuros para janeiro de 2031 está em 15,47%, contra 12,58% antes da eleição. Essa diferença é o prêmio de risco, o retorno extra que o investidor exige para emprestar ao Brasil, e é por esse canal que a incerteza fiscal chega ao câmbio.
Na Bolsa, o Ibovespa futuro opera em queda de 2,00%, aos 167.090 pontos, depois de a semana da eleição acumular perda de 18,12%. A XP rebaixou a recomendação para a Bolsa brasileira, de positiva para neutra.
Copom decide amanhã: o que mudou
Até a eleição, o mercado esperava mais dois cortes de 0,25 ponto na Selic, a taxa básica de juros do Brasil, até dezembro. Hoje, a maior parte dos analistas espera manutenção em 13,75% na reunião que termina amanhã, encerrando o ciclo de cortes iniciado em março.
Os motivos para parar: o desemprego está em 5,2%, o que indica mercado de trabalho apertado, e a inflação de serviços roda acima de 6% em 12 meses. Some a isso o dólar pressionado e a indefinição sobre o rumo fiscal do novo mandato. O próprio Focus já embute esse cenário, com a projeção da Selic para o fim de 2026 subindo de 13,25% para 13,50%, o que significa um corte a menos.
Mais importante que a decisão em si é o comunicado que a acompanha. Se o Banco Central sinalizar que está atento ao risco fiscal, a tendência é de alívio no câmbio. Se deixar a porta aberta para novos cortes sem mencionar o tema fiscal, o efeito pode ser o oposto.
Acumulados da semana, do mês e do ano
- Dólar (R$ 5,507): semana +1,16% · mês +1,16% · ano +0,33%.
- Euro (R$ 6,17): semana +1,94% · mês +1,94% · ano -4,66%.
- Libra (R$ 7,39): semana +1,37% · mês +1,37% · ano +0,74%.
- Iene (R$ 3,49 por 100 ienes): semana +0,95% · mês +0,95% · ano -0,42%.
- Ouro (US$ 3.936 a onça): semana +1,00% · mês +1,00% · ano -8,64%.
Semana e mês têm a mesma base nesta edição (fechamento de sexta-feira, 30/10), porque segunda-feira foi feriado de Finados e este é o primeiro pregão de novembro. Ano: base do fechamento de 31/12/2025. Dólar e euro com fechamento e PTAX do Banco Central; libra e iene estimados por paridade com o dólar comercial.
Euro, libra e iene
O euro está em R$ 6,17, com alta de 1,94% na semana, a maior do quadro, e voltou ao patamar de março. No acumulado do ano, ainda está 4,66% mais barato em reais. A libra subiu 1,37% e está em R$ 7,39, acima de R$ 7,00 e já com alta de 0,74% no ano, depois de passar quase todo 2026 em queda. O iene teve a menor alta do quadro, de 0,95%, a R$ 3,49 por 100 ienes.
As três moedas estão caras em relação a setembro e outubro. Para quem tem viagem marcada para o fim do ano e ainda não comprou nada, a orientação da Rede Câmbio Seguro é dividir a compra em parcelas, sem tentar acertar o fundo.
Ouro perdeu os US$ 4.000
O ouro está em cerca de US$ 3.936 por onça troy, unidade de peso usada no mercado de metais que equivale a 31,1035 gramas. O metal perdeu a marca dos US$ 4.000 e fechou outubro com queda de aproximadamente 7%, o segundo mês seguido de baixa. No ano, acumula perda de 8,64% em dólar.
A queda tem duas explicações. A primeira é que o mercado passou a apostar em juros mais altos nos Estados Unidos, e juro alto pesa sobre um ativo que não paga rendimento. A segunda é a venda forçada: a queda das ações de tecnologia levou investidores a liquidar outras posições para cobrir perdas, e o ouro foi arrastado junto.
- Em reais, a grama está em cerca de R$ 697 (US$ 126,55 x R$ 5,507). O câmbio alto segura o preço mesmo com o metal caindo em dólar. Paridade convertida Bolsa NY. Não é o valor utilizado nas operações.
- Oportunidade de compra: em dólar, é o menor nível em quatro meses e volta a ser região de entrada em parcelas. Em reais, a janela é menos atrativa, porque o dólar alto compensa a queda do metal.
- Quem já tem: manter. A tese de proteção segue válida, especialmente em um cenário de incerteza fiscal.
Remessas internacionais: um novo patamar
Com o dólar a R$ 5,507, uma remessa de US$ 1.000 para investimento sai por cerca de R$ 5.568, já com o IOF de 1,1% e sem considerar o spread da operação. Para importadores e empresas optantes pelo Simples Nacional, o IOF segue em 0% na maioria dos casos.
O ponto mais importante para quem faz orçamento: a faixa de R$ 4,95 a R$ 5,10 que valeu em outubro acabou. O mercado agora trabalha entre R$ 5,40 e R$ 5,60, e o próprio Focus projeta R$ 5,34 para o fim do ano. Planejar com o número antigo leva a erro.
Para compromissos até o fim do ano, a orientação é comprar em parcelas regulares, a cada 15 dias, em vez de tentar prever a decisão do Copom ou o resultado das eleições americanas.
O que esperar nos próximos dias
- Hoje (3): eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, conhecidas como midterms, que renovam parte do Congresso americano. As pesquisas apontam vantagem democrata na Câmara e disputa apertada no Senado.
- Quarta (4): decisão do Copom, com expectativa de manutenção da Selic em 13,75%, encerrando o ciclo de cortes.
- Quinta (5) e sexta (6): primeiras reações ao resultado americano e ao comunicado do Copom. Os países da zona do euro devem indicar candidatos à presidência do Banco Central Europeu até o dia 6.
- Próxima semana: definições sobre a equipe econômica do novo mandato. É o fator que pode destravar ou agravar o câmbio.
Veredito da semana
Trabalhe com a faixa de R$ 5,40 a R$ 5,60 até o fim do ano, não mais com a de outubro. Quem tem compromisso em moeda estrangeira deve comprar em parcelas regulares, a cada 15 dias, em vez de esperar uma volta que o próprio Focus já não projeta. No ouro, a janela de compra é boa em dólar e mediana em reais.
Glossário dos termos usados neste texto
- Copom: comitê do Banco Central que define a taxa básica de juros do Brasil. Reúne-se a cada 45 dias.
- Selic: a taxa básica de juros do Brasil. Serve de referência para todas as outras taxas da economia.
- IPCA: o índice oficial de inflação brasileiro, calculado pelo IBGE.
- Boletim Focus: pesquisa semanal do Banco Central com cerca de 130 instituições financeiras sobre o que esperam da economia.
- PTAX: taxa de câmbio oficial calculada pelo Banco Central ao fim do dia. É a referência usada em contratos.
- Juros futuros (DI): contratos negociados na Bolsa que mostram que juros o mercado espera para datas futuras.
- Curva de juros: o conjunto dos juros futuros para diferentes prazos. Quando os prazos longos pagam mais, ela está inclinada.
- Prêmio de risco: o retorno extra que o investidor exige para aplicar num país considerado mais arriscado.
- Aversão a risco: quando o investidor vende ativos de risco e corre para dólar, ouro e títulos americanos.
- Fed: o banco central dos Estados Unidos. Define os juros americanos.
- Midterms: eleições de meio de mandato nos EUA, que renovam parte do Congresso na metade do mandato presidencial.
- Brent: a referência mundial de preço do petróleo, cotada em dólar por barril.
- Onça troy: unidade de peso usada no mercado de metais. Equivale a 31,1035 gramas.
- IOF: imposto federal cobrado nas operações de câmbio. A alíquota muda conforme a finalidade.
- Spread: a margem que a instituição cobra sobre a cotação de mercado. Não está incluída nos valores deste texto.
- Volatilidade: medida de quanto o preço oscila num período. Quanto maior, mais instável o mercado.
A Rede Câmbio Seguro acompanha o mercado diariamente e publica este panorama semanalmente, com edições extraordinárias sempre que o cenário muda de direção. Fale com a sua unidade RCS para conhecer as taxas aplicáveis à sua operação.
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