O dólar comercial opera perto de R$ 5,07 nesta terça-feira, 4 de agosto de 2026, com o mercado dividido entre dois eventos: a decisão do Copom sobre a Selic, amanhã à noite, e o relatório de emprego dos Estados Unidos, na sexta-feira. O ouro reagiu a um dado fraco de emprego nos EUA e subiu para a casa dos US$ 4.086 a onça. Os especialistas da Rede Câmbio Seguro acompanham o cenário de perto e compartilham abaixo a leitura do momento e as perspectivas para os próximos dias.
O que está segurando o dólar perto de R$ 5,08
A moeda americana está presa numa faixa estreita há cerca de uma semana. Nesta terça-feira oscilou entre R$ 5,0555 e R$ 5,0909. O principal motivo veio de fora: no fim de semana, o presidente americano Donald Trump cancelou os ataques previstos contra o Irã e anunciou negociações para reabrir o Estreito de Ormuz e encerrar o programa nuclear iraniano.
O resultado foi imediato no preço do petróleo. O barril do tipo Brent caiu mais de 4,7% em um único pregão, para cerca de US$ 83, acumulando queda perto de 8% na semana. Petróleo mais barato significa menos pressão de inflação no mundo inteiro — e, no Brasil, abre espaço para o Banco Central cortar juros com mais tranquilidade.
Do lado americano, o Federal Reserve manteve os juros na faixa de 3,50% a 3,75% no dia 29 de julho, pela quinta reunião consecutiva. A decisão, porém, foi dividida: três diretores votaram por uma alta de 0,25 ponto. O recado é claro — os Estados Unidos não vão cortar juros tão cedo, e isso limita quedas mais fortes do dólar.
Copom decide a Selic nesta quarta-feira (5 de agosto)
A Selic está hoje em 14,25% ao ano, menor nível de 2026, após três cortes consecutivos de 0,25 ponto nas reuniões de março, abril e junho. Para a decisão desta quarta-feira, os contratos de juros futuros negociados na B3 apontam cerca de 98% de probabilidade de mais um corte de 0,25 ponto, levando a taxa a 14,00% ao ano.
O Boletim Focus divulgado na segunda-feira (3) reduziu a projeção da Selic para o fim de 2026 de 14% para 13,75% — a primeira revisão para baixo desde março. A estimativa de inflação também melhorou: o IPCA projetado para o ano caiu de 5,12% para 5,03%, quinta semana consecutiva de queda.
Para o câmbio, o que importa não é o corte em si, que já está no preço, mas o texto do comunicado. Se o Banco Central sinalizar que pretende continuar cortando nas próximas reuniões, o dólar tende a subir um pouco, porque o juro brasileiro perde parte da atratividade que atrai capital estrangeiro. Se o tom for mais cauteloso, o real ganha força.
O fato da semana no exterior: EUA e Japão intervieram juntos no câmbio
Na sexta-feira, 31 de julho, o Tesouro dos Estados Unidos comprou ienes em ação coordenada com o Ministério das Finanças do Japão. Foi a primeira compra de ienes por Washington desde 1998, segundo o Financial Times, executada pelo Federal Reserve de Nova York por meio de Goldman Sachs e Morgan Stanley.
O dólar chegou a valer quase 164 ienes, o maior nível desde 1986, e recuou para a casa dos 156 ienes após a intervenção. O efeito respingou em todas as moedas: o índice DXY, que mede o dólar contra as principais divisas globais, caiu abaixo de 100 pontos. Esse enfraquecimento generalizado da moeda americana é um dos fatores que sustentam o real neste momento.
Na prática, para o cliente brasileiro:
- Japão: viagens e compras em ienes ficaram cerca de 4% mais caras em poucos dias. O iene está em R$ 0,0325.
- Europa: o euro segue firme contra o dólar, na casa de US$ 1,15, e custa cerca de R$ 5,84. Não há alívio à vista para quem viaja à zona do euro.
- Reino Unido: o Banco da Inglaterra manteve os juros em 3,75% no dia 30 de julho, em votação apertada de 6 a 3, com três membros defendendo alta. A libra segue sustentada, perto de R$ 6,80.
Ouro: por que os especialistas veem oportunidade neste patamar
O ouro está cotado a cerca de US$ 4.086 a onça, em alta de 0,75% nesta terça-feira. Em 12 meses, acumula valorização de 19,7%. O recorde histórico foi de US$ 5.597 a onça, em 29 de janeiro de 2026 — ou seja, o metal ainda está 27% abaixo do topo do ano.
A pressão vem do juro americano alto, que reduz a atratividade de um ativo que não paga rendimento. Mas o relatório JOLTS divulgado nesta terça mostrou 7,36 milhões de vagas em aberto nos Estados Unidos em junho, abaixo dos 7,44 milhões esperados. Mercado de trabalho esfriando significa menos espaço para o Fed subir juros — e isso devolveu fôlego ao metal. A demanda dos bancos centrais, que teve rebote no segundo trimestre, sustenta o piso próximo de US$ 4.000.
A leitura dos especialistas da Rede Câmbio Seguro é de que este é um bom momento para quem acumula ouro em etapas aumentar a posição e melhorar o custo médio de aquisição. Para quem já tem ouro, vender agora significa realizar prejuízo contra o topo do ano — a orientação é segurar a posição.
A paridade convertida da Bolsa de Nova York para o câmbio de hoje é de aproximadamente R$ 666 a grama. Esse valor é uma referência de mercado e não corresponde ao valor praticado nas operações.
Remessas internacionais: o que muda hoje
- Importadores e empresas do Simples Nacional: IOF de 0% na maioria dos casos. Com o dólar estável em R$ 5,07, é uma janela favorável para antecipar pagamentos a fornecedores no exterior.
- Remessa para investimento: IOF de 1,1%. Patamar de câmbio confortável para quem envia recursos a aplicações no exterior de forma programada.
- Quem exporta serviço e recebe em dólar: o valor convertido em reais está menor do que em junho. Quem puder aguardar pode encontrar janela melhor após o Copom e o payroll.
- Quem recebe do exterior para manutenção, estudo ou família: fracionar a remessa ao longo do mês reduz o risco de pegar o pior dia numa semana de decisão de juros.
O que esperar nos próximos dias
- Terça-feira (4/8): produção industrial de junho no Brasil e relatório JOLTS de vagas em aberto nos EUA. Dia de pouca oscilação.
- Quarta-feira (5/8): decisão do Copom às 18h30. Corte para 14,00% é quase certo; o comunicado é o que move o câmbio.
- Quinta-feira (6/8): reação ao comunicado e balança comercial brasileira.
- Sexta-feira (7/8): payroll dos EUA às 9h30, o dado mais importante da semana lá fora. Emprego forte reforça juro americano alto, dólar mais firme e pressão sobre o ouro.
- No radar: as negociações entre Estados Unidos e Irã. Acordo confirmado derruba mais o petróleo e ajuda o real; ruptura das conversas inverte o cenário rapidamente.
Resumo do cenário
O dólar deve trabalhar entre R$ 5,00 e R$ 5,15 no curto prazo, com o real sustentado pelo juro brasileiro elevado e pela queda do petróleo. O ouro segue travado perto de US$ 4.000, patamar que os especialistas da Rede Câmbio Seguro consideram atrativo para acumulação. Para quem tem compra de moeda programada e não quer correr risco, o nível atual é historicamente confortável para travar ao menos parte do valor.
A Rede Câmbio Seguro acompanha o mercado diariamente e publica este panorama toda semana. Fale com a sua unidade RCS para conhecer as taxas aplicáveis à sua operação.
Material informativo. Não constitui recomendação de investimento. Para operações de câmbio, consulte um especialista da Rede Câmbio Seguro.
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