O que muda para quem compra moeda para viagem, envia dinheiro ao exterior, importa ou avalia o ouro como reserva de valor.
A moeda está travada na faixa de R$ 5,07 a R$ 5,09 há uma semana. Dois fatores seguram o real: o juro brasileiro ainda muito alto e a queda forte do petróleo, que reduz o medo de inflação. O que pode tirar o dólar dessa faixa é a decisão do Copom amanhã à noite e o relatório de emprego dos EUA na sexta-feira. Quem tem compra programada e não quer correr risco, este é um patamar historicamente confortável para travar parte do valor.
Trump cancelou os ataques ao Irã no fim de semana e anunciou negociação para reabrir o Estreito de Ormuz. O petróleo Brent despencou mais de 4,7% em um único dia, para cerca de US$ 83, acumulando queda perto de 8% na semana — e petróleo barato significa menos inflação no mundo todo. Em paralelo, o Fed manteve os juros americanos na faixa de 3,50%–3,75% em 29 de julho, mas com três diretores votando por alta: o banco central americano não corta juros tão cedo. Aqui dentro, os juros futuros já caíram e o mercado dá 98% de chance de o Copom cortar a Selic para 14,00% amanhã.
Na sexta-feira (31/07), o Tesouro americano comprou ienes em ação coordenada com o Japão — a primeira compra de ienes por Washington desde 1998. O dólar, que chegou a valer quase 164 ienes (o maior nível desde 1986), recuou para a casa de 156 ienes. O efeito passou para todas as moedas: o índice DXY, que mede o dólar contra as principais divisas, caiu abaixo de 100 pontos. Traduzindo para o seu bolso: viagem ao Japão e compras em ienes ficaram cerca de 4% mais caras em poucos dias; já euro e libra seguem firmes, sem alívio para quem viaja à Europa. Para quem envia ou recebe em dólar, esse enfraquecimento global da moeda americana é o que está segurando o real.
O metal está 27% abaixo do recorde de janeiro e trabalha travado perto de US$ 4.000 há semanas. Para quem acumula em etapas, esse patamar é um bom momento de comprar mais e melhorar o custo médio de aquisição.
Vender agora é realizar prejuízo contra o topo do ano. O ouro segue 19,7% acima de 12 meses atrás e os bancos centrais continuam comprando. Manter a posição é a leitura dos especialistas da Rede Câmbio Seguro.
US$ 4.086 a onça, em alta de 0,75% nesta terça após dado fraco de emprego nos EUA. Alta de 19,7% em 12 meses. Paridade de hoje: R$ 666 a grama.
Juro americano alto tira atratividade do ouro, que não paga rendimento. Mas o JOLTS de hoje veio fraco (7,36 mi de vagas, abaixo do esperado): mercado de trabalho esfriando trava o Fed e devolve fôlego ao metal.
IOF de 0% na maioria dos casos. Com o dólar em R$ 5,08 e o câmbio estável, é uma janela boa para antecipar pagamentos de fornecedores no exterior.
IOF de 1,1%. Patamar de câmbio confortável para quem envia recursos a aplicações lá fora de forma programada.
Recebe menos reais por dólar do que em junho. Se puder aguardar, o pós-Copom e o payroll de sexta podem abrir uma janela melhor.
Manutenção, estudo e família: fracionar a remessa ao longo do mês reduz o risco de pegar o pior dia numa semana de decisão de juros.