O dólar comercial opera perto de R$ 5,11 nesta terça-feira, 11 de agosto de 2026, depois de uma semana em que o cenário virou de ponta a cabeça. O acordo entre Estados Unidos e Irã para reabrir o Estreito de Ormuz travou, o petróleo voltou a subir forte e o ouro disparou mais de 7% em sete dias. Os especialistas da Rede Câmbio Seguro acompanham o cenário de perto e compartilham abaixo a leitura do momento.
Ormuz trava de novo e leva o dólar de volta a R$ 5,11
Há uma semana, o mercado apostava na reabertura do Estreito de Ormuz e o petróleo tipo Brent havia desabado para a casa dos US$ 83. No fim de semana, o quadro se inverteu completamente.
O Irã condicionou a abertura do estreito ao fim do bloqueio naval americano, à retirada das sanções e ao pagamento de indenizações pelos danos de guerra. O presidente Donald Trump respondeu exigindo que o próprio Irã pague compensações pelos ataques atribuídos ao país ao longo das últimas décadas. Sem acordo à vista, o Brent subiu 4,99% na segunda-feira, fechando a US$ 87,72, e chegou a tocar US$ 90 por barril nesta terça-feira.
Cerca de um quinto de todo o petróleo consumido no mundo passa por Ormuz. Petróleo mais caro significa mais inflação global, juros altos por mais tempo nos países ricos e pressão sobre moedas de países emergentes. Por isso o real perdeu 0,56% na segunda-feira e o dólar fechou a R$ 5,11.
Copom cortou a Selic para 14% e a ata abre espaço para setembro
Em 5 de agosto, o Banco Central reduziu a Selic de 14,25% para 14,00% ao ano, em decisão unânime dos sete diretores. Foi o quarto corte consecutivo do ciclo iniciado em março.
A ata da reunião, divulgada nesta terça-feira, veio mais enxuta e direta, reconhecendo que a atividade econômica brasileira segue em trajetória de moderação, com desaceleração disseminada entre os componentes de oferta e demanda. A leitura predominante entre os economistas é de que o documento abre espaço para uma nova redução da taxa em setembro, o que levaria a Selic a 13,75%.
Ao mesmo tempo, o comitê manteve o alerta sobre as expectativas de inflação, que seguem acima da meta. No cenário de referência, o Banco Central projeta inflação de 5,1% em 2026 e 3,8% em 2027.
IPCA de julho veio quase zerado, mas um pouco acima do esperado
O IBGE divulgou nesta terça-feira que o IPCA subiu 0,07% em julho. No acumulado de 12 meses, a inflação está em 4,44%. O mercado esperava alta de 0,03% no mês e 4,40% em 12 meses, ou seja, o resultado veio ligeiramente acima.
A maior pressão veio do grupo Habitação, que subiu 0,99% e respondeu por 0,15 ponto percentual do índice, puxado pela energia elétrica. Do outro lado, Alimentação e bebidas caiu 0,67%, aliviando o resultado em 0,14 ponto percentual.
Mesmo com o pequeno desvio, o número segue abaixo do teto da meta de inflação, que é de 4,5%, e não muda a expectativa de novos cortes de juros.
Ouro dispara e chega ao maior nível em dois meses
O ouro está cotado perto de US$ 4.390 a onça, alta de mais de 7% em apenas uma semana e maior patamar em dois meses. Em 30 dias, o metal acumula valorização de 9,5%. Em 12 meses, o ganho chega a 30,9%. O recorde histórico foi de US$ 5.597 a onça, em 29 de janeiro de 2026, o que deixa o metal ainda 21,6% abaixo do topo do ano.
Três forças explicam a alta:
- A guerra no Oriente Médio sem solução à vista, que empurra investidores para ativos de proteção.
- O relatório de emprego dos Estados Unidos, divulgado em 7 de agosto, que mostrou destruição de 23 mil vagas em julho contra expectativa de criação de 80 mil. O dado afastou a aposta de alta de juros pelo Federal Reserve em setembro, e juro menor favorece o ouro.
- A China, cujo banco central comprou cerca de 20 toneladas de ouro em julho, a maior adição mensal desde outubro de 2023, além do forte fluxo de investidores institucionais chineses para fundos lastreados no metal.
A orientação dos especialistas da Rede Câmbio Seguro muda de tom neste patamar. Para quem já tem ouro, a recomendação continua sendo segurar a posição: o metal ainda está mais de 20% abaixo do recorde e os fundamentos que sustentam o preço permanecem de pé. Para quem quer aumentar posição, o momento pede disciplina: comprar em parcelas menores e espaçadas, sem antecipar todo o valor, porque altas rápidas como essa costumam ser seguidas de correções.
A paridade convertida da Bolsa de Nova York para o câmbio de hoje é de aproximadamente R$ 721 a grama, contra R$ 666 há uma semana. Esse valor é uma referência de mercado e não corresponde ao valor praticado nas operações.
Euro, libra e iene: o que mudou
O índice DXY, que mede o dólar contra as principais moedas do mundo, está em 99,81 pontos, ainda perto da mínima de dois meses. Entre as moedas fortes, o destaque negativo é o iene.
- Iene: em 31 de julho, Estados Unidos e Japão compraram ienes em ação coordenada e a moeda saltou de 164 para 156 por dólar. Duas semanas depois, o dólar já voltou a 159 ienes, devolvendo cerca de 60% do movimento. O iene está em R$ 0,0321. Tóquio anunciou um pacote de US$ 2,3 trilhões em investimentos e o ministro das Finanças voltou a afirmar que a moeda vai se fortalecer.
- Euro: negociado a US$ 1,1542, perto da máxima de três semanas contra o dólar. Custa cerca de R$ 5,90. Não há alívio para quem viaja à zona do euro.
- Libra: a US$ 1,3510, sustentada pelo juro de 3,75% do Banco da Inglaterra, mantido em 30 de julho em votação apertada de 6 a 3. Custa cerca de R$ 6,90.
Remessas internacionais: o que muda hoje
- Importadores e empresas do Simples Nacional: IOF de 0% na maioria dos casos. O dólar subiu, mas segue bem abaixo dos R$ 5,44 registrados em janeiro. Quem tem pagamento com data marcada deve travar; quem tem folga no prazo pode fracionar.
- Remessa para investimento: IOF de 1,1%. Em semana de inflação americana e impasse em Ormuz, entradas programadas e menores reduzem o risco de pegar o pior dia do mês.
- Quem exporta serviço e recebe em dólar: o valor convertido em reais está melhor do que na semana passada. Se a tensão em Ormuz continuar, a janela pode melhorar, mas um acordo súbito derruba o dólar rapidamente.
- Quem recebe do exterior para manutenção, estudo ou família: momento favorável na conversão. Vale antecipar parte da remessa do mês enquanto o câmbio está neste patamar.
O que esperar nos próximos dias
- Quarta-feira (12/8): inflação ao consumidor dos Estados Unidos (CPI) de julho, o dado mais importante da semana. Se vier alta, volta a aposta de juro americano subindo e o dólar ganha força aqui.
- Quinta-feira (13/8): inflação ao produtor dos EUA (PPI), que antecipa pressões de custo e confirma ou desmente o sinal do dia anterior.
- Sexta-feira (14/8): PIB da zona do euro em segunda estimativa e ajuste de posições antes do fim de semana.
- No radar: o Estreito de Ormuz. O Irã afirma estar perto de um acordo com Omã para uma rota alternativa. Confirmação derruba petróleo e dólar; novo impasse empurra o Brent acima de US$ 90.
Resumo do cenário
O dólar deve trabalhar entre R$ 5,05 e R$ 5,20 no curto prazo, com viés de alta enquanto o Estreito de Ormuz não for reaberto. O real segue sustentado pelo juro elevado e pela inflação comportada, mas o petróleo caro é uma pressão constante. O ouro está em patamar alto e pede disciplina de quem compra, sem mudar a orientação de manter para quem já tem.
Para quem tem compra de moeda programada, dividir o valor em duas ou três entradas ao longo do mês é a forma mais segura de atravessar uma semana com inflação americana e impasse geopolítico no calendário.
A Rede Câmbio Seguro acompanha o mercado diariamente e publica este panorama toda semana. Fale com a sua unidade RCS para conhecer as taxas aplicáveis à sua operação.
Material informativo. Não constitui recomendação de investimento. Para operações de câmbio, consulte um especialista da Rede Câmbio Seguro.
A melhor cotação para compra de Ouro é na Rede Câmbio Seguro. Consulte nossas lojas.
Na hora de programar sua viagem, conte com a assessoria de câmbio gratuita da Rede Câmbio Seguro.
Envios internacionais com segurança e confiabilidade. É com DHL Express e FedEx. Consulte nossas lojas.
Precisa enviar dinheiro ao exterior de forma rápida e segura? Conheça nossos serviços!



