O dólar comercial é negociado perto de R$ 5,03 nesta quarta-feira, 14 de outubro de 2026, depois de fechar a terça a R$ 5,0227, com alta de 0,74%. O movimento de alívio que veio logo após o primeiro turno perdeu força: a moeda já subiu cerca de 1,2% desde o piso de R$ 4,968 da semana passada. Dois fatores explicam a virada, e os dois têm data para serem testados: o CPI dos Estados Unidos sai hoje e uma nova pesquisa Quaest do segundo turno é esperada para o início da noite. Os especialistas da Rede Câmbio Seguro analisam o cenário.
Por que o dólar voltou a subir
O primeiro motivo veio do petróleo. Os houthis atacaram alvos na Arábia Saudita, entre eles um complexo de escritórios da Saudi Aramco, no leste do país, e o aeroporto principal de Riade. A coalizão liderada pelos sauditas respondeu com uma ofensiva para retomar território no Iêmen. O Brent, referência global do petróleo, saiu de US$ 98 na semana passada para cerca de US$ 106, uma alta de aproximadamente 8%. Petróleo caro alimenta a inflação global e pressiona as moedas de países emergentes.
O segundo motivo é a eleição. A pesquisa BTG/Nexus mostrou Flávio Bolsonaro com 52% e Lula com 48% dos votos válidos, com margem de erro de 2 pontos. Já o levantamento divulgado pela Reuters apontou 48% a 45% em intenções de voto e caracterizou empate técnico. São métricas diferentes, e o próprio mercado discute qual delas explica melhor o movimento. O ponto que ficou é que a corrida está mais apertada do que o resultado do primeiro turno sugeria, e isso devolve prêmio de risco ao real.
A inflação brasileira também pesou
O IPCA de setembro subiu 0,82%, acima dos 0,76% esperados pelo mercado. A energia elétrica respondeu sozinha por cerca de 0,32 ponto percentual, o equivalente a aproximadamente 39% do índice do mês, por causa do fim do efeito do bônus de Itaipu. Combustíveis, alimentos e serviços também pressionaram. A inflação de serviços, que o Banco Central acompanha de perto, está em 5,97% em 12 meses.
No Boletim Focus de 13 de outubro, a projeção de IPCA para 2026 subiu de 5,01% para 5,22%, quarta alta semanal consecutiva, ficando 0,72 ponto acima do teto da meta, que é de 4,5%. A projeção da Selic para o fim do ano caiu de 13,50% para 13,25%, o que implica dois cortes de 0,25 ponto até dezembro. E a projeção do dólar para o fim de 2026 recuou de R$ 5,20 para R$ 5,15, a primeira mudança em 16 semanas.
Acumulados da semana, do mês e do ano
- Dólar (R$ 5,03): semana +0,83% · mês -2,84% · ano -8,42%.
- Euro (R$ 5,63): semana +0,88% · mês -4,16% · ano -12,95%.
- Libra (R$ 6,67): semana +0,66% · mês -2,71% · ano -9,08%.
- Iene (R$ 3,17 por 100 ienes): semana +0,51% · mês -3,45% · ano -9,46%.
- Ouro (US$ 4.145 a onça): semana -0,91% · mês -0,74% · ano -3,79%.
Semana: desde o fechamento de sexta-feira (09/10). Mês: base do fechamento de 30/09. Ano: base do fechamento de 31/12/2025. Dólar e euro com fechamento e PTAX do Banco Central; libra e iene estimados por paridade com o dólar comercial.
Euro, libra e iene
O euro está em R$ 5,63, com o par EUR/USD em 1,1203, tentando se recuperar da mínima de 17 meses registrada no início da semana, em 1,1161. O que pesa sobre a moeda europeia é a dúvida sobre a aprovação do orçamento francês de 2027, que prevê reduzir o déficit a 5% do PIB. Mesmo com a alta da semana, o euro segue 4,16% mais barato em reais no mês.
A libra está em R$ 6,67, com o GBP/USD em 1,3268. O mercado precifica como quase certa a primeira alta de juros do Banco da Inglaterra em mais de três anos, na reunião de novembro. O iene está em R$ 3,17 por 100 ienes, com o USD/JPY perto de 158,50.
As três moedas subiram menos que o dólar na semana. Para quem tem viagem marcada à Europa ou ao Reino Unido no fim do ano, o nível continua bem abaixo do de setembro, mesmo depois da correção.
Ouro: terceira queda seguida, mas mais caro em reais
O ouro está em cerca de US$ 4.145 a onça, em terceira sessão consecutiva de queda, com o mercado aguardando o CPI americano. O Federal Reserve tem aproximadamente 77% de chance de manter os juros na reunião deste mês, mas cerca de 88% de chance de elevá-los em dezembro. Juro alto continua sendo o principal freio para um ativo que não paga rendimento.
Em reais, porém, a conta é outra: a grama subiu de R$ 663 na semana passada para cerca de R$ 670, porque a alta do câmbio mais do que compensou a queda do metal em dólar.
- Quem já tem: manter. A queda responde a juros e dólar, não a mudança de fundamento.
- Oportunidade de compra: em dólar, a faixa de US$ 4.100 a US$ 4.150 segue sendo a região de entrada em parcelas. Em reais, a janela ficou um pouco pior que a da semana passada, mas continua melhor que a de setembro.
- Paridade em reais: cerca de R$ 670 por grama (US$ 133,26 x R$ 5,027). Paridade convertida Bolsa NY. Não é o valor utilizado nas operações.
- Variação recente: -0,91% na semana, -0,74% no mês e -3,79% no ano. O metal está 26% abaixo do recorde de janeiro.
Remessas internacionais
Com o dólar a R$ 5,027, uma remessa de US$ 1.000 para investimento sai por cerca de R$ 5.082, já com o IOF de 1,1% e sem considerar o spread da operação. Na edição de 6 de outubro, o mesmo cálculo dava R$ 5.023, uma diferença de R$ 59 por mil dólares. Para importadores e empresas optantes pelo Simples Nacional, o IOF é de 0% na maioria dos casos.
Quem seguiu a orientação da semana passada e travou de 50% a 70% do valor a R$ 4,968 está cerca de 1,2% à frente de quem esperou. A parcela que ficou para depois do segundo turno continua fazendo sentido. Para quem ainda não travou nada, o dólar está a 23% da faixa dos últimos 30 dias, ou seja, ainda na metade de baixo: travar parte agora continua sendo melhor do que apostar no resultado do dia 25.
O que esperar nos próximos dias
- Quarta (14): CPI dos Estados Unidos de setembro, que define o tom do Federal Reserve para dezembro. À noite, nova pesquisa Quaest do segundo turno.
- Quinta (15) e sexta (16): reuniões do FMI e do Banco Mundial, com falas de dirigentes do Banco Central Europeu e do Fed. No Brasil, o IBC-Br, considerado a prévia do PIB do Banco Central.
- Próxima semana: rodada final de pesquisas antes do segundo turno, o principal vetor do câmbio no período. O Boletim Focus também deve ajustar de novo a projeção do dólar, hoje em R$ 5,15.
- Domingo, 25 de outubro: segundo turno da eleição presidencial. Faltam 11 dias, e a segunda-feira seguinte tende a repetir a volatilidade vista no dia 5.
Veredito da semana
A faixa de trabalho até 25 de outubro é de R$ 4,95 a R$ 5,20. O piso de R$ 4,968 foi o melhor preço do semestre e já ficou para trás. Quem ainda não travou deve fazer metade agora e deixar o restante para depois do segundo turno. No ouro, a recomendação é manter a posição e comprar em parcelas entre US$ 4.100 e US$ 4.150.
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