O ouro disparou para cerca de US$ 4.646 a onça nesta terça-feira, 25 de agosto de 2026, maior nível em três meses, enquanto a confiança no dólar americano enfraquece diante de uma crise de dívida nos Estados Unidos. O dólar comercial recuou para R$ 5,16, e o euro chegou à máxima em três meses. Os especialistas da Rede Câmbio Seguro acompanham o cenário de perto e explicam abaixo o que mudou e o que fazer.
O termômetro de três semanas: o quadro desde 4 de agosto
- Dólar: de R$ 5,07 para R$ 5,16 — alta de 1,8%.
- Euro: de R$ 5,84 para R$ 6,02 — alta de 3,1%.
- Ouro: de US$ 4.086 para US$ 4.646 a onça — alta de 13,7%.
- Petróleo Brent: de US$ 83 para US$ 92 o barril — alta de 10,8%.
O destaque óbvio é o ouro, que acelerou a subida na última semana e chama atenção por um motivo específico: o mercado está desconfiando da própria moeda americana.
Por que o dólar caiu no mundo — e o que isso tem a ver com o ouro
Depois de bater R$ 5,20 na semana passada, o dólar recuou para R$ 5,16. Mas essa queda não é sinal de tranquilidade: ela nasce do mesmo fenômeno que está turbinando o ouro.
Na semana passada, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, anunciou que vai dobrar o programa de recompra de títulos longos, de US$ 2 bilhões para pelo menos US$ 4 bilhões, numa tentativa de segurar os juros de 30 anos, que bateram a maior taxa em quase 20 anos. A medida veio depois de uma venda maciça de títulos que vinha empurrando os rendimentos para cima desde o fim de junho.
A dívida pública americana ultrapassou os US$ 40 trilhões nesta semana, com US$ 1 trilhão adicionado em apenas alguns meses. Os pagamentos líquidos de juros do governo federal somaram US$ 963 bilhões nos primeiros dez meses do ano fiscal de 2026, cerca de 15% de todo o gasto federal.
Economistas chamam o movimento de Bessent de trade de desvalorização: quando o mercado desconfia que o governo vai afrouxar a moeda para lidar com uma dívida impagável nos termos atuais, o dinheiro sai do dólar e vai para ativos de proteção como o ouro. Um economista sênior da Brookings Institution chegou a comparar o caminho do Tesouro americano ao que o Japão fez com o iene, alertando para o risco de uma espiral de desvalorização.
É esse mesmo mecanismo, em menor escala, que ajudou o real a se valorizar frente ao dólar nesta semana.
Fluxo estrangeiro na Bolsa segue negativo, mas o ritmo desacelerou
Em agosto, investidores estrangeiros já retiraram cerca de R$ 22 bilhões da Bolsa brasileira, segundo o J.P. Morgan — o terceiro maior volume de saída mensal desde 2008. O movimento ocorre depois de um primeiro trimestre de 2026 que havia registrado entrada de R$ 53,4 bilhões, o que reforça o quanto o humor do investidor estrangeiro mudou ao longo do ano.
O Ibovespa acumula queda de mais de 5% no mês. A pior semana, entre os dias 10 e 14 de agosto, teve saída de R$ 12,6 bilhões — a maior retirada semanal desde 2008, início da série histórica. Desde então, o ritmo de saída perdeu um pouco de força, e o dólar respondeu recuando de R$ 5,20 para R$ 5,16.
Ainda assim, o saldo acumulado do ano caiu para perto de zero, contra R$ 38,2 bilhões positivos que chegou a acumular. O mercado atribui a cautela a uma combinação de incerteza eleitoral, dúvidas fiscais domésticas, juros reais elevados em várias economias e maior competição global por capital.
Euro na máxima de três meses: o mesmo motivo do ouro
O euro chegou a US$ 1,171 na semana passada, maior nível desde maio, refletindo diretamente a mesma desconfiança fiscal americana que impulsiona o ouro. Ele custa hoje cerca de R$ 6,02.
- Euro: cerca de R$ 6,02, no patamar mais caro do ano para quem compra euros com reais.
- Libra esterlina: a US$ 1,364, acompanhando a fraqueza global do dólar. Custa cerca de R$ 7,04.
- Iene japonês: estável a 159 por dólar, custa cerca de R$ 0,0324. Foi a moeda mais estável do grupo no período.
Para quem tem viagem à Europa marcada, o cenário é claro: o custo em reais está no patamar mais alto do ano, e não há sinal de alívio à vista enquanto o debate sobre a dívida americana continuar no centro das atenções.
Ouro em US$ 4.646: a janela encolheu, mas o motivo mudou de figura
O ouro está cotado a cerca de US$ 4.646 a onça, maior nível em três meses. Subiu 4,9% somente na última semana e 13,7% desde 4 de agosto. Em reais, a paridade convertida da Bolsa de Nova York foi de R$ 666 para aproximadamente R$ 771 a grama no mesmo período — valor de referência, que não corresponde ao praticado nas operações.
A distância em relação ao recorde histórico de US$ 5.597 a onça, registrado em 29 de janeiro de 2026, caiu de 28% no início de agosto para 17% hoje. Vale marcar a diferença: até a semana passada, essa distância vinha encolhendo porque o preço subia de forma gradual, sustentado pela guerra no Oriente Médio e pela política monetária americana. Agora, o movimento é mais abrupto e tem uma causa nova — o mercado está precificando um risco real sobre a própria moeda americana.
Três forças estão em ação ao mesmo tempo:
- O programa de recompra de títulos do Tesouro americano e o temor de que a dívida de US$ 40 trilhões force uma moeda mais fraca.
- A proximidade do índice de preços PCE, que sai nesta quarta, e do discurso de Kevin Warsh em Jackson Hole, na sexta-feira — dois eventos que podem mexer com a trajetória dos juros americanos.
- A demanda seguida de bancos centrais e de fundos negociados em bolsa lastreados em ouro, que voltaram a registrar entradas relevantes nas últimas semanas.
A orientação dos especialistas da Rede Câmbio Seguro segue em duas frentes. Para quem já tem ouro, o cenário está favorável e a recomendação é manter a posição: os fundamentos que sustentam o preço estão todos ativos ao mesmo tempo. Para quem quer comprar, a mensagem mudou de tom: a janela encolheu — não é mais desconto por preço parado, é o mercado precificando um risco concreto. Comprar em parcelas menores e espaçadas continua sendo o caminho mais seguro, sem tentar esperar uma correção que pode não vir.
Remessas internacionais: o que muda hoje
- Importadores e empresas do Simples Nacional: IOF de 0% na maioria dos casos. O dólar recuou na semana, abrindo uma janela um pouco melhor para quem tem pagamento com data flexível.
- Remessa para investimento: IOF de 1,1%. Com o PCE amanhã e o discurso de Jackson Hole na sexta-feira, vale manter entradas fracionadas — a semana tem potencial de virar de direção rapidamente.
- Quem exporta serviço e recebe em dólar: recebe um pouco menos do que na semana passada, com o recuo do dólar. Se puder aguardar o discurso de Warsh na sexta, pode haver janela melhor.
- Quem recebe do exterior para manutenção, estudo ou família: o câmbio segue favorável frente ao início de agosto. Fracionar as conversões ao longo da semana reduz o risco de pegar o dia de maior volatilidade.
O que esperar nos próximos dias
- Quarta-feira (26/8): índice de preços PCE dos Estados Unidos, referente a julho — a medida de inflação preferida do Federal Reserve. Um número mais quente reacende a aposta de juro alto e pode segurar o ouro; um dado mais fraco reforça a alta do metal.
- Quinta e sexta-feira (27 e 28/8): Simpósio de Jackson Hole. Kevin Warsh discursa às 8h de sexta-feira, em sua primeira grande fala como presidente do Federal Reserve. Uma pesquisa do Bank of America mostra 69% dos gestores esperando um tom neutro, mas o mercado está posicionado para reagir a qualquer direção.
- No radar: a dívida americana e as recompras do Tesouro. O rendimento do título de 30 anos segue perto da máxima em quase 20 anos. Se o programa de recompra não conseguir segurar os juros de forma duradoura, a pressão sobre o dólar — e o impulso ao ouro — pode continuar.
- No radar: as sanções ampliadas dos Estados Unidos contra o Irã, anunciadas nesta segunda-feira. O petróleo caiu mais de 2% mesmo com o anúncio, sinal de que o mercado não vê risco imediato ao fluxo pelo Estreito de Ormuz.
- No radar: as eleições de outubro. O fluxo estrangeiro segue negativo no mês. Planeje as operações dos próximos meses contando com volatilidade acima do normal.
Resumo do cenário
O dólar opera na faixa de R$ 5,10 a R$ 5,25 no curto prazo, com a queda recente refletindo mais desconfiança fiscal americana do que tranquilidade sobre o Brasil. O Boletim Focus manteve a projeção do dólar em R$ 5,20 para o fim de 2026 pela décima semana seguida, sinal de que os analistas não esperam uma queda mais expressiva.
O ouro é o grande destaque da semana: disparou para o maior nível em três meses, turbinado por uma crise de confiança na própria moeda americana, e não apenas pelos fatores geopolíticos que vínhamos acompanhando. A recomendação prática dos especialistas da Rede Câmbio Seguro é manter a posição para quem já tem ouro e comprar em parcelas menores para quem está montando posição, reconhecendo que a janela de desconto em relação ao recorde histórico ficou mais estreita.
A Rede Câmbio Seguro acompanha o mercado diariamente e publica este panorama semanalmente. Fale com a sua unidade RCS para conhecer as taxas aplicáveis à sua operação.
Material informativo. Não constitui recomendação de investimento. Para operações de câmbio, consulte um especialista da Rede Câmbio Seguro.
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