O euro rompeu a marca de R$ 6,00 nesta terça-feira, 18 de agosto de 2026, enquanto o dólar comercial se firma acima de R$ 5,20 e o petróleo volta a US$ 91 o barril. O ouro segue subindo e alcançou US$ 4.429 a onça, maior nível em dois meses. Os especialistas da Rede Câmbio Seguro acompanham o cenário de perto e explicam abaixo o que mudou e o que fazer.
O termômetro de quinze dias: tudo subiu
Vale começar comparando onde estávamos em 4 de agosto e onde estamos hoje, porque o movimento foi generalizado:
- Dólar: de R$ 5,07 para R$ 5,20 — alta de 2,6%.
- Euro: de R$ 5,84 para R$ 6,02 — alta de 3,1%.
- Ouro: de US$ 4.086 para US$ 4.429 a onça — alta de 8,4%.
- Petróleo Brent: de US$ 83 para US$ 91 o barril — alta de 9,6%.
Ou seja: quem adiou compra de moeda ou de ouro nas últimas duas semanas pagou mais caro em todas as frentes.
O paradoxo da semana: dólar fraco no mundo, forte no Brasil
Este é o ponto que mais confunde quem acompanha o noticiário. O índice DXY, que mede a força do dólar contra as principais moedas globais, caiu para cerca de 99,6 pontos — a mínima desde o início de junho.
As razões são americanas. As vendas no varejo dos Estados Unidos recuaram 0,6% em julho, somando-se a sinais fracos de emprego e a uma inflação em desaceleração. Com isso, o mercado praticamente descartou uma alta de juros pelo Federal Reserve em setembro e já não precifica integralmente um aumento até o fim do ano — cenário bem diferente do que se via há uma semana.
Se o dólar está enfraquecendo lá fora, por que ele subiu aqui? A resposta é doméstica. O Ibovespa fechou a segunda-feira na décima queda consecutiva, a 166.783 pontos — a maior sequência de perdas desde 2023 —, pressionado pela saída contínua de investidores estrangeiros que começou após o corte de recomendação do Brasil pelo JPMorgan, na semana passada.
O Banco Central chegou a atuar: na segunda-feira vendeu US$ 1 bilhão em leilão de venda de dólares com compromisso de recompra, operação destinada à rolagem de um vencimento previsto para 2 de setembro. O dólar chegou a interromper uma sequência de cinco altas e fechou a R$ 5,2012, em queda de 0,36%.
Quando o real se descola do movimento global, o problema é local. E o fator local, neste momento, é o calendário eleitoral.
O detalhe mais revelador está no Boletim Focus
O Boletim Focus divulgado na segunda-feira manteve a projeção do dólar em R$ 5,20 para o fim de 2026. É a nona semana consecutiva sem mudança nesse número.
Repare no que isso significa: o mercado projeta que o dólar termine o ano exatamente onde está hoje. Os analistas não esperam que a moeda caia de volta aos R$ 5,00 que vimos no início de agosto.
As demais projeções do Focus ficaram estáveis: IPCA de 5,02% para 2026, acima do teto da meta de 4,5%; PIB de 1,98%; e Selic em 13,75% ao ano no fim do ano, o que implica mais um corte de 0,25 ponto. Para 2027, o mercado projeta dólar a R$ 5,29.
Petróleo volta a US$ 91 e a economia brasileira dá sinal de cansaço
O Estreito de Ormuz voltou ao centro das atenções. Irã e Omã estavam próximos de um entendimento sobre a administração da rota — inclusive discutindo uma taxa para petroleiros — quando o presidente Donald Trump ameaçou bombardear Omã em entrevista à Fox News.
O resultado foi imediato: o Brent subiu 2,65% na segunda-feira e opera perto de US$ 91 o barril nesta terça, patamar mais alto do que no auge do impasse da semana passada.
No Brasil, o IBC-Br, índice de atividade econômica do Banco Central considerado uma prévia do PIB, caiu 0,6% em junho na comparação com maio. O dado veio um pouco pior que a expectativa de queda de 0,53% projetada por economistas. No segundo trimestre, ainda assim, houve expansão de 0,2%.
A Selic a 14% ao ano começa a morder a atividade econômica. Uma economia mais fraca combinada com petróleo caro é justamente a mistura que mais preocupa quem opera câmbio, porque limita o espaço do Banco Central para cortar juros sem pressionar a inflação.
Euro rompe R$ 6,00: por que a viagem à Europa ficou mais cara
O euro subiu por duas razões que se somaram. Primeiro, ele ganhou força contra o dólar no mercado internacional: a moeda europeia está negociada a cerca de US$ 1,158, maior nível em três semanas, ajudada por dados melhores que o esperado na zona do euro. Segundo, o real perdeu valor por conta dos fatores domésticos já descritos.
Quando as duas coisas acontecem ao mesmo tempo, o efeito no bolso do brasileiro é dobrado. Por isso o euro subiu 3,1% em quinze dias — mais do que o próprio dólar, que subiu 2,6% no mesmo período.
- Euro: cerca de R$ 6,02, rompendo a barreira psicológica dos R$ 6,00.
- Libra esterlina: a US$ 1,3526 no mercado internacional, subindo há seis pregões seguidos contra o dólar. Custa cerca de R$ 7,03.
- Iene japonês: estável a 159 por dólar, custa cerca de R$ 0,0326. Foi a moeda que menos encareceu para o brasileiro no período.
Para quem tem viagem à Europa ou ao Reino Unido marcada para o fim do ano, esperar mais tem custo real. O calendário eleitoral brasileiro segue pressionando o real até outubro, e a orientação dos especialistas da Rede Câmbio Seguro é comprar ao menos parte da moeda agora.
Ouro em US$ 4.429: ainda há desconto, mas ele diminuiu
O ouro alcançou cerca de US$ 4.429 a onça, maior nível em dois meses. Em 30 dias, o metal acumula alta de 10,5%. Em 12 meses, a valorização chega a 33,5%.
O que mudou a favor do metal foi a política monetária americana. Com os dados fracos nos Estados Unidos, o mercado deixou de precificar alta de juros pelo Fed até o fim do ano. Juro parado favorece o ouro, que não paga rendimento e por isso sofre quando as taxas sobem. Somam-se a isso a guerra no Oriente Médio sem solução e a demanda dos bancos centrais — a China comprou cerca de 20 toneladas só em julho, a maior adição mensal desde outubro de 2023.
Em reais, a paridade convertida da Bolsa de Nova York subiu de R$ 666 para aproximadamente R$ 740 a grama desde 4 de agosto, alta puxada pelo metal e pelo câmbio ao mesmo tempo. Esse valor é uma referência de mercado e não corresponde ao valor praticado nas operações.
A orientação segue em duas frentes, com um ajuste importante. Para quem já tem ouro, o cenário melhorou: os três pilares que sustentam o preço — Fed sem espaço para subir juros, guerra ativa e bancos centrais comprando — estão firmes ao mesmo tempo. A recomendação continua sendo manter a posição.
Para quem quer montar ou aumentar posição, a janela continua aberta, mas ficou mais estreita: a distância do recorde histórico de US$ 5.597 a onça, registrado em janeiro de 2026, encolheu de 28% para 20,9% em duas semanas. Comprar em parcelas menores e espaçadas continua sendo o caminho mais seguro.
Remessas internacionais: o que muda hoje
- Importadores e empresas do Simples Nacional: IOF de 0% na maioria dos casos. O custo em reais está 2,6% maior do que há duas semanas. Com o Focus projetando R$ 5,20 até dezembro, esperar um recuo deixou de ser estratégia e passou a ser aposta.
- Remessa para investimento: IOF de 1,1%. Com a ata do Fed nesta quarta-feira e o simpósio de Jackson Hole no fim do mês, são semanas de notícia concentrada. Entradas fracionadas reduzem o risco de concentrar todo o valor num único dia.
- Quem exporta serviço e recebe em dólar: é o melhor patamar do mês para converter. Se há valores represados aguardando um câmbio melhor, este é o momento de executar ao menos parte.
- Quem recebe do exterior para manutenção, estudo ou família: a janela favorável se mantém. Antecipar parte da remessa de setembro faz sentido enquanto o câmbio está neste nível.
O que esperar nos próximos dias
- Quarta-feira (19/8): ata da última reunião do Federal Reserve, que manteve os juros entre 3,50% e 3,75%. O documento mostra o quanto o comitê estava dividido em julho, quando três diretores votaram por alta. Um tom mais duro fortalece o dólar no mundo.
- Fim do mês: simpósio de Jackson Hole, com discurso de Kevin Warsh, presidente do Federal Reserve. É o evento onde o banco central americano costuma sinalizar sua próxima direção, com peso alto para dólar e ouro.
- No radar: o Estreito de Ormuz. Um acordo entre Irã e Omã derruba o Brent e alivia o câmbio; uma escalada leva o barril acima de US$ 95.
- No radar: o fluxo estrangeiro. Enquanto o dinheiro de fora continuar saindo da Bolsa brasileira, o dólar tem piso firme aqui, independentemente do que acontece no exterior.
- No radar: as eleições de outubro. Pesquisas e sinais sobre a política fiscal seguem movendo o câmbio. Planeje as operações dos próximos meses contando com volatilidade acima do normal.
Resumo do cenário
O mercado já aceitou R$ 5,20 como o novo patamar do dólar, e a faixa de trabalho no curto prazo é de R$ 5,15 a R$ 5,30. A projeção do Focus para o fim do ano, mantida em R$ 5,20 pela nona semana seguida, é o sinal mais claro de que os analistas não esperam um recuo relevante.
A recomendação prática dos especialistas da Rede Câmbio Seguro é travar em duas ou três entradas ao longo das próximas semanas, em vez de apostar num único ponto de preço ou esperar uma queda que o próprio mercado não projeta. Quem recebe do exterior segue diante de uma janela favorável. E quem acumula ouro deve continuar comprando em parcelas, reconhecendo que o desconto em relação ao recorde diminuiu.
A Rede Câmbio Seguro acompanha o mercado diariamente e publica este panorama semanalmente. Fale com a sua unidade RCS para conhecer as taxas aplicáveis à sua operação.
Material informativo. Não constitui recomendação de investimento. Para operações de câmbio, consulte um especialista da Rede Câmbio Seguro.
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