Esta é uma edição extraordinária do nosso panorama de mercado, publicada fora do calendário semanal por causa da forte movimentação do câmbio nos últimos dias.
O dólar comercial chegou a R$ 5,19 nesta sexta-feira, 14 de agosto de 2026, acumulando quatro pregões consecutivos de alta e atingindo o maior patamar em seis semanas. Os especialistas da Rede Câmbio Seguro acompanham o cenário de perto e explicam abaixo o que mudou e o que fazer.
O dólar subiu 2,3% em dez dias: o que aconteceu
Em 4 de agosto, o dólar estava em R$ 5,07. Nesta sexta-feira, opera na faixa de R$ 5,18 a R$ 5,19. São 2,3% de alta em dez dias, com quatro pregões seguidos de valorização da moeda americana.
A alta tem duas origens. A primeira é externa e já conhecida: o impasse nas negociações sobre o Estreito de Ormuz manteve o petróleo Brent perto de US$ 87 o barril, e o índice DXY, que mede a força do dólar no mundo, voltou aos 100 pontos.
A segunda origem é interna, é nova e tende a durar mais: o mercado começou a precificar as eleições de outubro.
JPMorgan cortou a recomendação do Brasil — e isso não é o mesmo que rebaixamento de nota
Na terça-feira, 11 de agosto, o banco JPMorgan rebaixou a recomendação de investimentos no Brasil de overweight, que equivale a comprar acima da média do mercado, para neutro.
É importante entender exatamente o que isso significa, porque a palavra rebaixamento circulou muito nos últimos dias e pode causar confusão. Não houve rebaixamento da nota de crédito do Brasil. As agências de classificação de risco — Moody’s, S&P Global e Fitch — não mexeram na classificação do país. O que aconteceu foi um banco de investimentos orientando seus clientes a reduzir a exposição a ativos brasileiros.
A justificativa do JPMorgan reúne três pontos: os cortes da Selic estão chegando ao fim, o crescimento econômico está desacelerando e a perspectiva política segue incerta. O banco observa que ativos brasileiros historicamente têm desempenho inferior nos seis meses que antecedem uma eleição, com aumento da volatilidade.
O efeito foi imediato. Investidores estrangeiros começaram a desmontar posições, o Ibovespa caiu mais de 2% naquele dia e o dólar, que abrira em baixa e chegara a romper R$ 5,10, virou para alta. E o movimento não terminou na terça: como avaliou uma mesa de câmbio ouvida pela imprensa, ninguém sai do Brasil em um dia. Por isso a pressão se estendeu por toda a semana.
Inflação americana comportada, mas o Fed não corta juros
O índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos, o CPI, subiu apenas 0,1% em julho, com alta de 3,4% no acumulado de 12 meses. O núcleo, que exclui alimentos e energia, ficou em 2,5% em 12 meses. Na quinta-feira, o índice de preços ao produtor veio estável, também abaixo do esperado.
São números benignos. Eles reduziram para menos de 50% a probabilidade de o Federal Reserve elevar os juros na reunião de setembro, movimento que agora a maioria dos analistas projeta para outubro ou dezembro.
Mas há um detalhe que faz toda a diferença para o câmbio brasileiro: nos Estados Unidos, a discussão é entre manter e subir os juros, não entre manter e cortar. Enquanto o Brasil corta a Selic e os Estados Unidos ficam parados, a diferença entre as duas taxas diminui. E é justamente essa diferença que atrai o capital estrangeiro que sustenta o real.
Euro perto de R$ 6,00 e libra acima de R$ 7,00
O real caiu contra praticamente todas as moedas nesta semana, e o efeito é sentido por quem viaja.
- Euro: negociado a US$ 1,1524 no mercado internacional, custa cerca de R$ 5,98 — encostando na marca de R$ 6,00.
- Libra esterlina: a US$ 1,3510, sustentada pelo juro de 3,75% do Banco da Inglaterra, custa cerca de R$ 7,01, rompendo a barreira dos R$ 7,00.
- Iene japonês: o dólar está a 159 ienes. A moeda japonesa devolveu quase todo o ganho obtido com a intervenção coordenada de 31 de julho. O iene custa cerca de R$ 0,0325.
Para quem tem viagem marcada para a Europa ou o Reino Unido no fim do ano, a orientação dos especialistas da Rede Câmbio Seguro é comprar ao menos parte da moeda agora. O calendário eleitoral brasileiro tende a manter a pressão sobre o real até outubro, e esperar um recuo que pode não vir é uma aposta arriscada.
Ouro estabiliza em dólar, mas sobe em reais
O ouro está cotado perto de US$ 4.373 a onça. Depois de subir 7% entre 4 e 11 de agosto, o metal praticamente andou de lado nos últimos dias, com investidores realizando lucro após a alta forte e a inflação americana comportada reduzindo a urgência do Federal Reserve.
Em reais, porém, a história é outra. Por causa da alta do dólar, a paridade convertida subiu para aproximadamente R$ 729 a grama, contra R$ 666 há dez dias. Esse valor é uma referência de mercado e não corresponde ao valor praticado nas operações.
O metal segue 21,9% abaixo do recorde histórico de US$ 5.597 a onça, registrado em 29 de janeiro de 2026. Continuam sustentando o preço a guerra no Oriente Médio sem solução à vista e a demanda dos bancos centrais — a China comprou cerca de 20 toneladas em julho, a maior adição mensal desde outubro de 2023.
A orientação segue em duas frentes. Para quem já tem ouro, manter a posição: o metal ainda está mais de 20% abaixo do topo e os fundamentos permanecem de pé. Para quem quer montar ou aumentar posição, comprar em parcelas menores e espaçadas, sem entrar de uma vez, porque o preço subiu rápido e a estabilização atual não define a próxima direção.
Remessas internacionais: o que muda hoje
- Importadores e empresas do Simples Nacional: IOF de 0% na maioria dos casos. O custo em reais subiu 2,3% em dez dias. Quem tem pagamento com data marcada deve travar agora — esperar recuo em ano eleitoral é aposta arriscada.
- Remessa para investimento: IOF de 1,1%. Com a volatilidade em alta, entradas menores e programadas ao longo do mês reduzem o risco de concentrar todo o valor no pior dia.
- Quem exporta serviço e recebe em dólar: é o melhor momento do mês para converter. Cada dólar recebido vale 2,3% mais em reais do que há dez dias. Vale antecipar conversões que estavam represadas.
- Quem recebe do exterior para manutenção, estudo ou família: janela favorável. Se parte da remessa do mês pode ser antecipada, este patamar de câmbio compensa.
O que esperar nos próximos dias
- Segunda-feira (17/8): Boletim Focus. Atenção especial à projeção de câmbio para o fim de 2026 — se subir, confirma que o mercado incorporou o risco eleitoral ao preço.
- Fim do mês: Simpósio de Jackson Hole, encontro anual dos bancos centrais nos Estados Unidos. É onde o Federal Reserve costuma sinalizar seus próximos passos, com peso sobre o dólar no mundo todo.
- No radar: o Estreito de Ormuz. Com o petróleo em US$ 87 e as negociações emperradas, um acordo derruba o barril e alivia o câmbio; uma escalada empurra o Brent acima de US$ 90 novamente.
- No radar: as eleições de outubro. Este é o novo fator estrutural do câmbio brasileiro. Pesquisas eleitorais e sinais sobre a política fiscal vão movimentar o dólar até o fim do ano.
Resumo do cenário
O dólar deve trabalhar entre R$ 5,10 e R$ 5,25 no curto prazo, com viés de alta. O câmbio brasileiro entrou em modo eleitoral, e isso significa mais volatilidade daqui até outubro. Vale lembrar, porém, que apesar da alta recente o dólar ainda acumula queda de cerca de 6% no ano.
A recomendação prática dos especialistas da Rede Câmbio Seguro é simples: quem tem compra de moeda programada para os próximos meses deve começar a travar parte do valor agora, dividindo em duas ou três entradas, em vez de esperar um recuo que pode não vir. Quem recebe do exterior está diante de uma janela favorável e deve aproveitá-la.
A Rede Câmbio Seguro acompanha o mercado diariamente e publica este panorama semanalmente, com edições extraordinárias sempre que o mercado exigir. Fale com a sua unidade RCS para conhecer as taxas aplicáveis à sua operação.
Material informativo. Não constitui recomendação de investimento. Para operações de câmbio, consulte um especialista da Rede Câmbio Seguro.
A melhor cotação para compra de Ouro é na Rede Câmbio Seguro. Consulte nossas lojas.
Na hora de programar sua viagem, conte com a assessoria de câmbio gratuita da Rede Câmbio Seguro.
Envios internacionais com segurança e confiabilidade. É com DHL Express e FedEx. Consulte nossas lojas.
Precisa enviar dinheiro ao exterior de forma rápida e segura? Conheça nossos serviços!




