O dólar comercial é negociado a R$ 5,213 nesta terça-feira, 29 de setembro de 2026, em queda de 0,24%, depois de fechar ontem a R$ 5,2265, o maior valor de fechamento em seis meses. O ouro está em US$ 4.154 a onça, após despencar 4% na segunda-feira e tocar US$ 4.100, menor nível desde 5 de agosto. A semana ainda traz a inflação americana, o relatório de empregos dos EUA e, no domingo, o primeiro turno da eleição presidencial. Os especialistas da Rede Câmbio Seguro analisam o cenário e trazem o que esperar neste fim de mês.
Por que o dólar subiu na semana passada
O gatilho foi o petróleo. Na segunda-feira, o presidente Donald Trump rejeitou a proposta do Irã de reabrir totalmente o tráfego no Estreito de Ormuz, e os preços dispararam. O Brent, referência global do petróleo, chegou a superar US$ 105 e acumula alta de 14% em 30 dias. Petróleo caro significa mais inflação nos Estados Unidos, mais juro americano e menos apetite por moedas de países emergentes, como o real.
O reflexo apareceu direto nas apostas de juros: a probabilidade de o Federal Reserve elevar a taxa americana já em outubro passou de 70%, contra 57% na semana anterior. Juro americano mais alto fortalece o dólar no mundo inteiro.
Por que o dólar recua hoje
Dois fatores seguram a moeda nesta terça. O primeiro é a nova rodada de pesquisas eleitorais, que confirmou empate técnico e cenário de segundo turno, tirando parte do prêmio de risco embutido no real. O segundo é o próprio petróleo: o Brent recuou 1,94%, para US$ 103,24, depois de a Arábia Saudita restabelecer cerca de metade do fluxo do oleoduto Leste-Oeste, que abre uma rota alternativa ao Estreito de Ormuz.
O IPCA-15 mudou a conta dos juros no Brasil
A prévia da inflação oficial de setembro subiu 0,70%, bem acima dos 0,53% esperados pelo mercado. Em 12 meses, o índice passou de 4,24% para 4,47%, encostando no teto da meta contínua, que é de 3% com tolerância até 4,5%.
O principal vilão foi a energia elétrica residencial, com alta de 7,42% após o fim do bônus de Itaipu, o que levou o grupo Habitação a subir 2,07%. As passagens aéreas subiram 9,82% e os alimentos, 0,40%, com o tomate em alta de 20,76%. Todos os nove grupos pesquisados tiveram aumento.
No mercado de trabalho, o desemprego ficou em 5,3% no trimestre até agosto, com 5,8 milhões de desocupados. Emprego resistente somado a inflação em alta reduz o espaço do Copom, o comitê de juros do Banco Central, para continuar cortando a Selic, hoje em 13,75% ao ano. Para o câmbio, menos corte de juros aqui é um ponto a favor do real, mas o efeito fica ofuscado pela eleição no curtíssimo prazo.
Acumulados da semana, do mês e do ano
- Dólar (R$ 5,21): semana +0,64% · mês +0,62% · ano -5,03%.
- Euro (R$ 5,92): semana -0,27% · mês -1,68% · ano -8,54%.
- Libra (R$ 6,91): semana -0,31% · mês -0,66% · ano -5,84%.
- Iene (R$ 3,31 por 100 ienes): semana +0,48% · mês +1,86% · ano -5,51%.
- Ouro (US$ 4.154 a onça): semana -2,95% · mês -4,97% · ano -3,59%.
Semana: desde o fechamento de sexta-feira (25/09). Mês: base da PTAX de 31/08, do Banco Central. Ano: base do fechamento de 31/12/2025. Euro, libra e iene calculados por paridade com o dólar comercial; a variação semanal dessas três moedas usa o desempenho do dólar contra cada uma em 7 dias.
Euro, libra e iene
O euro está em R$ 5,92, com o par EUR/USD abaixo de 1,1350, e a libra em R$ 6,91, com o GBP/USD abaixo de 1,3250. As duas moedas ficaram praticamente de lado em reais na semana, enquanto o dólar subiu. O iene, a R$ 3,31 por 100 ienes, é a única moeda do quadro que subiu em reais no mês, com alta de 1,86%, sustentada pelo ciclo de alta de juros do Banco do Japão.
A leitura prática é que euro e libra estão relativamente melhores do que o dólar neste momento. Quem tem viagem à Europa ou ao Reino Unido encontra hoje um ponto de entrada mais confortável do que quem precisa comprar dólar.
Ouro no menor nível desde agosto: o que fazer
A queda de 4% na segunda-feira levou o ouro a testar US$ 4.100, o menor patamar desde 5 de agosto. A causa é a combinação de dólar forte, juro americano em alta e rendimento dos títulos do Tesouro dos EUA elevado, que encarece manter um ativo que não paga juros. Nesta terça o metal se recupera 0,94%, negociado a US$ 4.154.
- Oportunidade de compra: a faixa de US$ 4.100 a US$ 4.150 é a melhor janela de entrada do trimestre para quem monta posição em parcelas, com a ressalva de que a pressão dos juros americanos continua no curto prazo.
- Quem já tem: manter. A queda responde a juros e dólar, não a mudança de fundamento. A compra por bancos centrais segue firme e o Goldman Sachs manteve a projeção de US$ 4.900 a onça em 2026.
- Paridade em reais: cerca de R$ 696 por grama (US$ 133,54 x R$ 5,213). Na edição anterior eram R$ 712. Desta vez a queda do metal superou a alta do dólar. Paridade convertida Bolsa NY. Não é o valor utilizado nas operações.
- Variação recente: -2,95% na semana, -4,97% no mês e -3,59% no ano. O ouro entrou no vermelho no acumulado de 2026 e está 25,7% abaixo do recorde de US$ 5.589 de janeiro.
Remessas internacionais: o custo está no topo
Com o dólar a R$ 5,213, uma remessa de US$ 1.000 para investimento sai por cerca de R$ 5.270, já com o IOF de 1,1% e sem considerar o spread da operação. Na edição de 23 de setembro, o mesmo cálculo dava R$ 5.217. Para importadores e empresas optantes pelo Simples Nacional, o IOF é de 0% na maioria dos casos.
O dólar está a 91% da faixa dos últimos 30 dias, que vai de R$ 5,07 a R$ 5,2265. Ou seja, está colado no topo. Quem seguiu a orientação da semana passada e travou metade do valor a R$ 5,16 está hoje cerca de 1% à frente do mercado. Para quem ainda não enviou, a decisão de menor arrependimento é enviar apenas o essencial agora e deixar o restante para depois do primeiro turno.
O que esperar até segunda-feira
- Quarta (30): índice PCE nos EUA, medida de inflação preferida do Federal Reserve. É o dado que confirma ou derruba a aposta de alta de juros em outubro. Também é o fechamento do trimestre, com ajuste de carteiras.
- Quinta (1º/10): balança comercial e produção industrial no Brasil, além dos PMIs industriais globais.
- Sexta (2/10): payroll dos EUA, o relatório mensal de empregos. Emprego forte reforça a alta de juros e o dólar. É o último pregão antes da eleição.
- Domingo (4/10): primeiro turno da eleição presidencial. As pesquisas apontam empate técnico e segundo turno provável. A segunda-feira seguinte tende a ser o pregão mais volátil do ano.
Veredicto da semana
A faixa de trabalho até domingo é de R$ 5,15 a R$ 5,28. Quem precisa de moeda até outubro deve enviar apenas o essencial agora, com o dólar colado no topo da faixa, e deixar o restante para depois do primeiro turno. No ouro, a faixa de US$ 4.100 a US$ 4.150 é a melhor janela de compra do trimestre.
A Rede Câmbio Seguro acompanha o mercado diariamente e publica este panorama semanalmente, com edições extraordinárias sempre que o cenário muda de direção. Fale com a sua unidade RCS para conhecer as taxas aplicáveis à sua operação.
A melhor cotação para compra de Ouro é na Rede Câmbio Seguro. Consulte nossas lojas.
Na hora de programar sua viagem, conte com a assessoria de câmbio gratuita da Rede Câmbio Seguro.
Envios internacionais com segurança e confiabilidade. É com DHL Express e FedEx. Consulte nossas lojas.
Precisa enviar dinheiro ao exterior de forma rápida e segura? Conheça nossos serviços!







