O dólar comercial opera a R$ 5,13 nesta terça-feira, 22 de setembro de 2026, depois de cair 0,7% ontem com o recuo do petróleo. Uma semana após a Superquarta, o mercado já digeriu as duas decisões: o Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) subiu os juros pela primeira vez desde 2023 e sinaliza novas altas, e o Copom (comitê de juros do Banco Central do Brasil) cortou a Selic para 13,75%. O ouro recua para US$ 4.330 a onça. Os especialistas da Rede Câmbio Seguro analisam o cenário e trazem o que esperar até sexta-feira.
Por que o dólar caiu na segunda e voltou a subir hoje?
Na segunda-feira, o petróleo Brent (referência global de preço do petróleo) caiu 3,4% e fechou perto de US$ 100, com a expectativa de conversas entre Estados Unidos e Irã durante a Assembleia Geral da ONU. Petróleo mais barato reduz a pressão sobre a inflação e favorece moedas de países emergentes, como o real. O dólar fechou em R$ 5,10.
Nesta terça, o movimento se inverteu em parte. Dirigentes do Fed voltaram a defender novas altas de juros, e o mercado passou a precificar (embutir nos preços) cerca de 88% de chance de mais uma alta até dezembro. O índice DXY, que mede o dólar contra as principais moedas do mundo, superou 100,5 pontos, o maior nível desde o início de agosto. O dólar voltou para a casa de R$ 5,13.
O que disse a ata do Copom?
A ata, publicada hoje, explica o corte da Selic de 14% para 13,75%, o quinto corte seguido de 0,25 ponto percentual. O Banco Central afirmou que a política monetária continua restritiva (juros em nível que freia a economia para conter a inflação), citou aumento da incerteza e manteve aberta a possibilidade de novos cortes, sem indicar o ritmo. A projeção do BC para a inflação de 2026 é de 5,2%.
Para o câmbio, o ponto central é o diferencial de juros. Com a Selic em 13,75% e o juro americano entre 3,75% e 4,00%, a diferença caiu de 10,25 para 9,75 pontos percentuais em uma semana. Quanto menor essa diferença, menos atrativo fica o real para o investidor estrangeiro, o que tende a sustentar o dólar.
Acumulados da semana, do mês e do ano
- Dólar (R$ 5,13): semana -0,29% · mês -1,35% · ano -6,54%.
- Euro (R$ 5,87): semana -0,66% · mês -2,91% · ano -8,92%.
- Libra (R$ 6,85): semana -0,55% · mês -2,42% · ano -7,27%.
- Iene (R$ 3,25 por 100 ienes): semana -0,87% · mês -0,28% · ano -7,19%.
- Ouro (US$ 4.330 a onça): semana -1,09% · mês -0,94% · ano +0,50%.
Semana: desde o fechamento de sexta-feira (18/09). Mês: base 1º de setembro. Ano: base 31/12/2025. Euro, libra e iene calculados por paridade com o dólar comercial.
Euro, libra e iene: moedas fortes mais baratas em reais
O euro está cotado a R$ 5,87, o menor valor em reais desde julho, porque perde força para o dólar no mercado internacional (EUR/USD a 1,1450). A libra esterlina custa R$ 6,85 e acumula queda de 7,27% no ano. O iene japonês está em R$ 3,25 por 100 ienes: o Banco do Japão subiu os juros para 1,25%, mas com tom menos duro do que o esperado.
Para quem tem viagem marcada para a Europa ou o Reino Unido, a orientação dos especialistas da Rede Câmbio Seguro é comprar em parcelas agora. Os preços estão abaixo do início do mês, e a eleição de 4 de outubro pode trazer volatilidade nos próximos dias.
Ouro: juros americanos pesam, mas a proteção continua
O ouro está cotado a US$ 4.330 a onça, segundo a Kitco, com duas quedas seguidas e mínima perto de US$ 4.300. A alta de juros nos EUA aumenta o custo de manter um ativo que não rende juros. Por outro lado, os fundos de ouro (ETFs) estão com o maior volume em seis meses e os bancos centrais seguem comprando, o que tende a limitar as quedas.
- Oportunidade de compra: para quem está montando posição, a região de US$ 4.300 é ponto de entrada em parcelas.
- Quem já tem: manter. O ouro segue positivo no ano mesmo depois de cair mais de 20% desde o recorde de janeiro, e continua cumprindo a função de proteção.
- Paridade em reais: cerca de R$ 714 por grama (US$ 139,21 x R$ 5,13). Paridade convertida Bolsa NY. Não é o valor utilizado nas operações.
- Variação recente: -1,09% na semana, -0,94% no mês e +0,50% no ano.
Remessas internacionais: quanto custa enviar hoje?
Com o dólar comercial a R$ 5,13, uma remessa de US$ 1.000 para investimento custa cerca de R$ 5.186, já com o IOF de 1,1%, sem considerar o spread da operação. Para importadores e empresas optantes pelo Simples Nacional, o IOF é de 0% na maioria dos casos.
O dólar está no meio da faixa dos últimos 30 dias, entre R$ 5,07 e R$ 5,23, sem desconto relevante. Para compromissos até outubro, antecipar parte do envio protege contra a volatilidade da eleição. Quem pode esperar pode dividir o valor em duas ou três remessas até o fim do mês que vem.
O que esperar até sexta-feira
- Terça (22): ata do Copom (já divulgada) e discurso de Donald Trump na ONU, com possível encontro com o presidente do Irã.
- Quarta (23): PMIs dos EUA (índices de atividade da indústria e dos serviços) e entrada em vigor de restrições a companhias aéreas iranianas.
- Quinta (24): Relatório de Política Monetária do Banco Central, com projeções de inflação até 2028, e encontro entre Trump e Xi Jinping.
- Sexta (25): IPCA-15 de setembro (prévia da inflação oficial), com projeção de 0,55% no mês, e dados de consumo nos EUA.
Veredito da semana
O dólar deve oscilar entre R$ 5,08 e R$ 5,20. Quem tem viagem ou remessa até outubro deve comprar em parcelas agora, sem esperar a eleição. No ouro, a recomendação é manter a posição e aproveitar quedas perto de US$ 4.300 para comprar.
A Rede Câmbio Seguro acompanha o mercado diariamente e publica este panorama semanalmente, com edições extraordinárias sempre que o mercado exigir. Fale com a sua unidade RCS para conhecer as taxas aplicáveis à sua operação.
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